segunda-feira, 22 de março de 2010

O custo de um pingo d' água

(e a ótima idéia em Pernambuco)

Do ponto de vista local, ou mesmo dentro de uma conjuntura global, observa-se que a distribuição de água é cada vez mais irregular, seja pelas características geográficas, seja pelos deslocamentos urbanos.

Entra ano e sai ano e, pelo menos por um dia, a questão da água vem à tona. Desde 1992, a ONU determinou que o dia 22 de março teria essa incumbência. Nessa data e na véspera dela, literalmente, ‘chovem' reportagens na mídia sobre o perigo da escassez de água no planeta. No entanto, muito mais até do que a reserva de água disponível, o controle, o gerenciamento e a distribuição, embora parcamente discutidos, são os grandes desafios a serem enfrentados, e não só pontualmente, é claro.

Do ponto de vista local, ou mesmo dentro de uma conjuntura global, observa-se que a distribuição de água é cada vez mais irregular, seja pelas características geográficas, seja pelos deslocamentos urbanos. A América do Sul, por exemplo, dispõe da quarta parte da água disponível em todo o mundo, embora abrigue apenas 6% da população. No extremo oposto, 60% dos habitantes do planeta vivem na Ásia, que não dispõe de mais do que um terço dos recursos em água existentes.

Não precisamos ir tão longe. A Amazônia, o lugar mais rico em água potável superficial de todo o Planeta, está distante de todos os grandes centros urbanos nacionais. E esses centros urbanos, diga-se de passagem, não param de crescer. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), até 2030, 5 bilhões de pessoas, o equivalente a 60% da população mundial, viverão neles. Em 2050, esse percentual subirá para 70%.

Esse contexto já vem gerando desdobramentos, no mínimo, preocupantes. Especula-se, por exemplo, que alguns países mais pródigos em recursos hídricos estejam estudando possibilidades de comercializar seus excedentes, assim como acontece com o petróleo. Não cabe aqui julgá-los, mas entender a grandiosidade e urgência da questão.

Contudo, não dá mais para falar em escassez, de um lado, e desperdício, de outro, sem antes falar da gestão da água. E nesse sentido, tecnologia e conectividade são as palavras chave. Somente sabendo como, quando e, sobretudo, onde se gasta mais; será possível corrigir distorções e redirecionar os fluxos de distribuição.

É fato que as pessoas, cada vez mais, estão atentas para as consequências de suas ações no meio ambiente, mas quando não se tem a exata noção desse impacto, fica difícil adotar medidas efetivamente capazes de reduzir ou, ao menos, ajustar um determinado comportamento. E, sim, grande parte das pessoas não sabem quanto, muito menos como, consomem água, e não é por falta de interesse.

Em Pernambuco, em um caso infelizmente isolado, os empresários responsáveis por estabelecimentos que gastam mais de 600 mil litros de água por mês, ou seja, locais que pagam uma conta mensal de, no mínimo, R$ 3,5 mil, ‘ganharam' a possibilidade de acompanhar permanentemente seus gastos com água. Hoje, eles podem descobrir vazamentos ou falta de vazão e analisar o comportamento de seus funcionários em relação ao desperdício, tudo através da Internet.

Com 40 milhões de brasileiros conectados, a alternativa adotada em Pernambuco é viável e mais do que pertinente para qualquer região do país. Apenas por meio de consumidores capazes de controlar de perto seu consumo de água, haverá condições de preservar e gerenciar esse bem tão precioso.

O que se espera, enfim, é que aliada às campanhas deste ano para fechar direito as torneiras, regular chuveiros e vasos sanitários, seja levantada uma bandeira para que todos tenham o direito à informação, na plataforma que escolherem e com a periodicidade desejada, de quanto custa um pingo d'água. Simples e extremamente útil. Até porque não dá para pensar em consumo consciente sem saber o que se consome.

Marco Aurélio Teixeira - gerente de medição de água da CAS Tecnologia (www.cas-tecnologia.com.br)

http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/o-custo-de-um-pingo-d-agua/31402/

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